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Janeiro/ Fevereiro 2011
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Por Susan Venter

 Disasters

Ao longo da história, as enchentes provaram ser o mais mortal dos desastres naturais. A mortalidade das inundações se dá primariamente graças à congregação de populações ao redor de rios e regiões costeiras. São essas áreas que fornecem recursos para agricultura, transporte e indústria, então não é por acaso que todas as civilizações antigas surgiram ao redor de rios. (Organização Meteorológica Mundial, p. 14) Enchentes catastróficas causadas por uma variedade de eventos hidrológicos e meteorológicos, como furacões , ciclones, ventos fortes e precipitação constante ou intensa estiveram nas manchetes ao redor do mundo no último século. Isso, aliado ao fato de que “a subsistência de uma vasta parcela da população mundial depende, direta e indiretamente, de um número de recursos naturais que são geralmente providos por planícies de inundação e pela renda gerada” (Organização Meteorológica Mundial, p. 14) por essas áreas, significa que inundações ainda são responsáveis por mais sofrimento não-relatado e por um aumento na perda de propriedade, de vida e de recursos naturais.

Com a crescente pressão imposta às planícies de inundação devido ao crescimento populacional e às atividades agrícolas e industriais, as antigas práticas graduais de gestão localizada de enchentes estão se tornando menos eficazes e mais proibitivas por causa do seu custo. Ainda, com os avanços realizados no estudo e na compreensão dos mecanismos das enchentes, além de uma crescente preocupação com a má administração dos recursos naturais nas áreas de planícies de inundação, a gestão de enchentes vem sendo observada sob perspectivas regional, nacional e até internacional. Uma abordagem mais holística para a gestão de enchentes vem sendo defendida por várias agências nacionais e internacionais. A gestão de enchentes deve abranger planos e ações de autoridades locais, regionais e nacionais antes, durante e depois das inundações. Devem ser levadas em conta quando planejando as gestão de enchentes todas as decisões que influenciam uma bacia hidrológica, além de como essas decisões afetarão as regiões próximas. (Organização Meteorológica Mundial, p.15). Com tal abordagem, contudo, surge o problema de gerir e implementar políticas que afetarão a vida das pessoas que vivem nessas regiões.

Gestão Integrada de Enchentes

Gestão Integrada de Enchentes (IMF, sigla em inglês para Integrated Flood Management), tal qual definida pela Organização Meteorológica Mundial (WMO, sigla em inglês para World Meteorological Organization), incorpora o desenvolvimento de recursos de água e terra numa bacia de rio com o objetivo de maximizar a eficiência do uso das planícies de inundação e de minimizar a perda de vida e propriedade. (Organização Meteorológica Mundial, p.4). Esse processo encoraja a participação de usuários, planejadores e elaboradores de políticas em todos os níveis. A abordagem deve acontecer de forma aberta, transparente, inclusiva e comunicativa, descentralizando o processo de tomada de decisão e incluindo a consulta pública das partes interessadas no planejamento e na implementação. Nós olharemos brevemente as políticas e os planos da gestão de enchentes que dois países diferentes tomaram.

Flood

Holanda

Esse país desenvolvido focou na prevenção de enchentes através do uso de diques e outras estruturas. Após cada enchente, os diques eram elevados e, se necessário, aumentavam-se os investimentos nas áreas atingidas. Como resultado de uma grande inundação do Mar do Norte em 1953, que causou a morte de mais de 1800 pessoas, as práticas contra enchentes e as suas estruturas passaram a ser legalmente obrigadas a “suportar níveis de água relativos a uma descarga com o tempo de retorno de 1250 anos” (De Bruijn, p.1). As medidas tomadas para qualquer área dependeriam do risco de enchentes da região e da total evasão de qualquer evento relacionado. O risco de enchentes seria reavaliado a cada 5 anos. Como apontado no artigo intitulado “Estratégias Resilientes na Gestão de Enchentes”, essa política tinha muitas desvantagens e deveria ser alterada em torno de medidas mais resilientes quanto ao risco de enchentes.

Os planos atuais pedem o mesmo nível de proteção para as diferentes áreas do país. Por isso, cidades, áreas agrícolas e reservas naturais têm o mesmo nível de proteção, resultando em substancial investimento e desconsiderando as distintas conseqüências de enchentes para essas diferentes áreas. Além disso, como a maioria dos esforços está focada na prevenção de inundações, provavelmente não se deu importância suficiente aos efeitos de uma eventual enchente e aos planos requeridos para essa possibilidade. Isso pode causar uma falsa sensação de segurança na população, que pode ser negada pelas mudanças que vêm ocorrendo no clima global. As limitações impostas aos sistemas de rios pelo uso de diques e pelas mudanças nas correntes levaram a um aumento gradual nos níveis das planícies de inundação estreitadas, o que requere um aumento na altura dos diques de proteção. Mais do que simplesmente se concentrar na prevenção de enchentes, uma gestão resiliente está sendo defendida. Na proposta, a resiliência deve ser incorporada ao planejamento da gestão de enchentes de modo que o sistema tenha a capacidade de “retornar à situação normal após a inundação de parte de uma área por um pico de descarga”. O foco deve ser posto no planejamento, para reduzir os impactos das enchentes em uma região, e no aumento da velocidade do processo de recuperação. Impactos podem ser reduzidos pelo uso de sistemas de alerta, planos de evacuação, melhor planejamento espacial e redirecionamento da água de enchentes. Os planos serão redirecionados para se “conviver com as enchentes“ (De Bruijn, pp. 4&5.

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Início

Nova Orleans, Louisiana

Como no caso da Holanda, as ações primárias tomadas em Nova Orleans tinham o objetivo de prevenir enchentes. Um grande sistema de diques, calçadas e portões foi construído ao longo das últimas décadas; quase sempre seguindo uma enchente. Todos os projetos se concentraram na prevenção de inundações futuras; entretanto, após cada evento desses, anos de complacência e negligência se seguiam até o próximo desastre. O governo federal de fato aprovou o Programa Nacional de Seguro contra Enchentes em 1968 como meio de se pagar pela reconstrução e recuperação após uma enchente, mas nem todos os cidadãos de Nova Orleans foram cobertos pelo programa. Além disso, não havia como esse programa cobrir todos os prejuízos sofridos. Há também o fato de que o risco de inundações está crescendo em Nova Orleans devido ao aumento do nível do mar provocado pelas mudanças climáticas e ao número crescente de furacões na bacia do Atlântico, especialmente dentro e ao redorGolfo do México. (Grossi, p.4) Ademais, Nova Orleans está situada sobre uma região de “ sedimentos de deltas recentes”, então a área está afundando a “taxas geológicas aceleradas”. (Grossi, p.3)

Uma recente descoberta importante é que “pessoas preocupadas com a capacidade de venderem suas terras e políticos focados na necessidade de manter a entrada de investimentos preferirão que as informações sobre os crescentes níveis de riscos não sejam publicadas” (Grossi, p.4), uma mentalidade difícil de reverter. O crescente risco de enchentes em Nova Orleans é algo sobre o que a região precisa ser alertada, mas, julgando pelos interesses pessoais nos esforços de reconstrução que estão ocorrendo na área, esses riscos não estão recebendo a devida atenção. Na Paróquia de St. Bernard, que foi uma das áreas mais duramente atingidas pelo Furacão Katrina, residentes estão reconstruindo moradias no mesmo local onde ficavam suas antigas casas antes de serem devastadas pelo Katrina. Será necessária diligência das administrações federais, estaduais e locais para assegurar que os moradores saibam dos verdadeiros riscos de novas inundações.

Recomendações da Autora
Conference

Com os avanços feitos na compreensão científica e na análise quantitativa de enchentes, a gestão das mesmas deve englobar mais aspectos em seu planejamento e considerar os efeitos de uma parte na outra. O planejamento contra enchentes deve também incluir todas as partes envolvidas, e as decisões não devem ser tomadas nem apenas a partir do topo nem apenas da base da pirâmide decisória. Os planos devem levar em conta as condições de cobertura para toda a região ou bacia hidrográfica. Eles também devem considerar as condições sociais, religiosas e econômicas a nível local e regional, de modo que os residentes locais aceitem e apóiem qualquer plano desenvolvido. Finalmente, esses planos precisam ser mantidos e atualizados para refletir os aspectos em mudança da gestão de enchentes.

Referências

Al Barwani, Ahmed Said. “County Paper: Oman - Innovative Strategies for Effective Flood Management.” Comissão Social e Econômica das Nações Unidas para a Ásia e o Pacífico. Organização das Naçoes Unidas, 23 de Jul. de 2009. . 5 de Dez. de 2010. UNESCAP.org

Oman-Ahmed-Said-Al-Barwani-country-paper-Oman-final.pdf>. Encontro de Especialistas em Inovações Estratégicas para a Gestão de Enchentes Urbanas Considerando as Mudanças Climáticas na Ásia e no Pacífico.

De Bruijn, Karin M., e Frans Klijn. “Resilient Flood Risk Management Strategies.” International Association of Hydro-Environment Engineering and Research. Associação Internacional de Engenharia e Pesquisa Hidroambiental. n.d. 5 de Nov. de 2010.  IAHR.org

Grossi, Patricia, e Robert Muir-Wood. “Flood Risk in New Orleans.” RMS. Risk Management Solutions, Inc, 2006. 8 de Nov de 2010. RMS

Jones,, Joseph L., e Janice M. Fulford. “NEAR-REAL-TIME FLOOD MODELING AND MAPPING FOR THE INTERNET.” The USGS Surface Water Quality and Flow Modeling Interest Group. Procedimentos da Segunda Conferência Interagencial de Modelagem Hidrológica, 1 de Ago. 2002. 4 de Dez. de 2010  SMIG.gov

Organização Meteorológica Mundial. “Integrated Flood Management Concept Paper.” Programa Associado em Gestão de Enchentes. Organização Meteorológica Mundial, 2009. 11 de Out. de 2010 WMO No. 1047  APFM.info

 

Expandindo nossa missão e extensão

A IEDRO está adicionando um foco importante para os nossos próximos cinco anos – educar o mundo na importância crítica de resgatar dados meteorológicos históricos. Também, igualmente importante, nós educaremos as agências ao redor do mundo sobre como usar esse conteúdo valioso para o propósito de salvar vidas.

 Educating

Além de localizar, copiar e digitalizar dados históricos que tem sido citados em histórias recentemente publicadas por jornais nacionais e internacionais, incluindo o Baltimore Sun, o Chicago Tribune, USA Today e o Oman Tribune, a IEDRO está expandindo nosso trabalho para que todos saibam não apenas quão importante esses dados são para a segurança e saúde de todos, mas para fornecer aplicações específicas de como muitos desses antigos dados podem mitigar diversos problemas com que se depara a humanidade, como enchentes, secas, fome e a generalização de doenças.

Referências

Velhos diários de bordo preenchem a história meteorológica dos últimos 250 anos” por Doyle Rice, USA Today. 26 de Novembro, 2010: USA Today

Voluntários ao redor do mundo colocando velhos dados meteorológicos online: Registros sendo digitalizados em Maryland” por Frank Roylance, Baltimore Sun,3 de Janeiro, 2011: Baltimore Sun

Voluntários ao redor do mundo colocando velhos dados meteorológicos online: Registros sendo digitalizados em Maryland” Chicago Tribune, 3 de Janeiro, 2011: Chicago Tribune

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