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Em 2008, de acordo com o Centro para Controle de Doenças (CDC, na sigla em inglês) (2010), entre 190 e 311 milhões de pessoas contraíram malária em todo o mundo e entre 708.000 e um pouco mais de 1milhão desses casos chegaram à morte. Na verdade, as estatísticas do CDC classificam a malária como a 5ª causa de morte por doença infecciosa no mundo e 2ª na África.
Apesar de a malária ser tanto evitável quanto tratável, o tratamento médico pode ou não estar disponível para o paciente ou ser muito caro. Além disso, o aparecimento de estirpes do parasita resistentes a drogas limitaram a utilidade dos tratamentos padrões. Assim, é extremamente importante desenvolver e explorar nossa habilidade em entender e controlar sua disseminação para salvar vidas.
O que é malária? A maioria das pessoas sabe que ela é transmitida através da picada de certos mosquitos e que trazem com isso períodos de febres e calafrios. Ainda, sabemos que ela pode ser prevenida com a ingestão de quinino antes da infecção. Finalmente, nós associamos essa doença com áreas nos trópicos, como a América do Sul e Central, África, Sul da Ásia ou Papua-Nova Guiné.
Enquanto atualmente a malária limita-se principalmente a regiões do globo com clima tropical ou subtropical, nem sempre foi assim. Dados históricos nos dizem que a doença já teve uma distribuição mundial muito diferente nos séculos passados. Por exemplo, existem referências da doença encontradas em um texto médico Ayurvédico datado de antes de 500 d.C., ou da China antiga, em que os escritos mencionam que a malária existe desde o século V a.C. (Sallares, 2008). Alguns historiadores agora acreditam que pode ter sido malária que matou Alexandre, o Grande em 323 a.C., freando, assim, sua invasão da Índia (Sherman, 2007).
Inclusive, por séculos a malária foi endêmica em torno do Mediterrâneo, por volta da maior parte da Europa e na América do Norte. Testes com anticorpos detectaram malária em múmias egípcias de por volta de 3200 a.C. em diante. Porém, de acordo com Robert Sallares (2008, p. 396), as áreas mais afetadas na antiguidade foram a Grécia e a Roma clássicas (800 AEC-500EC), particularmente Roma.
Historiadores agora acreditam que o Império Romano, seu desenvolvimento, expansão e queda podem ter tido estreita relação com a malária. Robert Sallares, Pesquisador do Instituto de Ciência e Tecnologia da Universidade de Manchester, afirma que Roma pode ter sido fundada sobre suas sete célebres colinas com o propósito de evitar a propensão à malária das planícies. No entanto, já que a maioria da população que sustentava a cidade morava nos arredores da zona rural, ele estima que a malária ainda assim “teve tão grande impacto na economia e na população [de Roma] como hoje na África tropical.” Além disso, “as doenças crônicas produzidas pela malária levaram muitos dos romanos a quererem migrar”. Isso, Sallares argumenta, foi o começo e o incentivo para o crescimento de Roma em direção a um império.
A emigração dos cidadãos de Roma para longe de sua pátria contagiosa teria criado uma escassez de mão-de-obra na economia agrícola de Roma, assim acelerando a importação de escravos bárbaros. Somado a isso, Irwin Sherman, em seu livro Twelve Diseases that Changed Our World (Doze Doenças que Mudaram Nosso Mundo) (2007), relata que em várias ocasiões epidemias de malária protegeram a antiga Roma de ser conquistada por invasores bárbaros (como Átila em 452 d.C.). Mesmo durante a Idade Média, após a queda de Roma, a malária, também conhecida como “febre romana”, ajudou a repelir os exércitos invasores franceses e alemães (Sallares, 2003). De fato, foi a malária, e não um poderio ou perícia militar, que parou o exército de Frederico Barba-Roxa no ataque de Roma no século XII (Sherman, 2007).
A malária na Europa não estava limitada às suas regiões mais quentes e sulistas, mesmo durante a primeira metade do século XVIII, apesar de a área ainda ser parte do que cientistas consideram o clímax da Pequena Idade do Gelo (Reiter, 2000). O site do CDC afirma que (Reiter, 2000):
"Existem vários relatos de malária em todos os países do norte da Europa durante o século XVIII e início do século XIX. A abundância de relatos nesse período confirma que a doença era comum em vários locais da costa da Inglaterra e em algumas partes da Escócia com ocasional disseminação até Inverness... Assim, houve transmissão endêmica no extremo sul da Suécia e Finlândia, com epidemias devastadoras ocasionais que se estenderam até o norte do Golfo de Bótnia, perto do Círculo Ártico. "
Até o friorento século XVII também não ficou imune à doença. “Descrições dos habitantes de pântano [nas paróquias costeiras da Inglaterra no século XVII] se assemelham às das populações em áreas endêmicas com malária nos trópicos hoje.” (CDC, Geographic Distribution: The Marsh Parishes). O efeito na população local é claramente refletido em sua taxa de mortalidade: as médias brutas de enterros nas paróquias de Kent e Essex eram de duas a três vezes maiores em áreas pantanosas do que em áreas não pantanosas ao longo de todo o período de 1551 a 1750.
Neste momento, nosso planeta está aquecendo e é crucial o entendimento da história e natureza da malária e dirigir as forças necessárias para repelir seu avanço. A malária é uma assassina e não deve ser subestimada. A malária tem repetidamente afetado e mesmo mudado o curso da história e continua a ser uma grande protagonista no cenário da saúde mundial.
Referências:
Centro para Controle e Prevenção de Doenças (2010, Fevereiro 8). About malaria: Fast facts. Retirado do site CDC.gov
Centro para Controle e Prevenção de Doenças (2011). [Map of international distribution of malaria with country-specific data]. CDC Malaria Map Application. Retirado do site CDC.gov
Reiter, P. (2000). De Shakespeare a Defoe: Malária na Inglaterra na Idade do Gelo. Doenças Infecciosas Emergentes, 6(1). Retirado do website do Centro para Controle e Prevenção de Doenças: CDC.gov
Sallares, R. (Entrevistado). (Janeiro 29, 2003). Malária e Roma [Cópia da entrevista]. Retirado do website da Rádio Nacional: ABC.net
Sallares, R. (2008). Malária no mundo antigo. In J.P. Byrne (Ed.), Enciclopédia dePestilençia, Pandemias, e Pragas (Vol. 1, pp. 395-398). Westport, CT: Greenwood Press. Retirado do site Books.Google.com
Sherman, I.W. (2007). Doze doenças que mudaram nosso mundo. Washington, D.C.: ASM Press.
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A malária, a dengue e o vírus do Nilo Ocidental são doenças mortais transmitidas por vetores (aquelas que são espalhadas por mosquitos) que matam milhares de pessoas diariamente. Cada uma é transmitida por insetos, cuja população é diretamente afetada pelo clima. Felizmente, os padrões geoespaciais destas doenças podem ser previstos e antecipados pela análise de dados climáticos.
Futuros surtos das doenças também podem ser evitados através da identificação de áreas de alto risco e da implementação de medidas preventivas como o uso de inseticidas e a distribuição de mosquiteiros.
Certas condições climáticas são favoráveis ao aparecimento das doenças. A malária, que é transmitida por mosquitos, mata mais de um milhão de pessoas por ano. Quase metade da população mundial vive em áreas de risco da doença. Enquanto a ameaça da malária é quase global, o continente que menos contribui para o aquecimento global enquanto experimenta o pior dos efeitos climáticos negativos, a África, é responsável pela maioria dos casos da doença no mundo. Estudos comparando o aumento dos casos notificados de malária com o clima demonstram que o aumento de precipitação e de temperatura estão diretamente associados com a propagação da doença (Parham & Edwin, May 2010). O aumento das chuvas e da temperatura está ligado às tendências atuais da mudança climática. Especificamente, os estudos de Parham & Edwin apóiam a associação da mudança climática com as doenças transmitidas por insetos.
Enquanto a malária causa o maior número de mortes, outras doenças transmitidas por vetores são mais propensas de serem observadas nos Estados Unidos. A atenção a estas ameaças crescentes e às alterações climáticas em geral só tende a ser dada quando afeta o nosso próprio quintal?
A variabilidade climática e as distribuições de insetos transmissores de doenças, em resposta às alterações climáticas, são difíceis de serem documentadas com precisão devido à relativa ausência de históricos de dados ambientais. O monitoramento do clima e das doenças transmitidas por vetores, utilizando os novos sistemas de vigilância de alta tecnologia, tem alguma utilidade, mas os dados devem ser colhidos por longos períodos antes que as tendências possam ser identificadas.
Muitos dos sistemas de alta tecnologia, incluindo dados de sensoriamento remoto via satélite, não fornecem registros de longo prazo que possam detalhar suficientemente as tendências das variáveis atmosféricas. Por exemplo, o Radiômetro Avançado de Altíssima Resolução da NOAA (AVHRR, na sigla em inglês), alimentado com várias aplicações de transmissores vetoriais, fornece dados começando apenas a partir do início dos anos 1980. O resgate e digitalização dos dados que foram coletados antes do AVHRR aceleraria o progresso na prevenção de doenças transmitidas por vetores em longo prazo. Além disso, o monitoramento de tendências através da utilização de dados históricos é um método de coleta de dados mais rentável. O objetivo da IEDRO é coletar e digitalizar dados ambientais históricos que possam ser aplicados para salvar vidas.
Referências
Mills, J. M., Gage, K. L., & Khan, A. S. (2010). Potential Influence of Climate Change on Vector-Borne and Zoonotic Diseases: A Review and Proposed Research Plan. Environmental Health Perspectives , 118 (11), 1507-1517.
Parham, P. E., & Edwin, M. (May 2010). Modeling the Effects of Weather and Climate Change on Malaria Transmission. Environmental Health Perspectives , 620-626.
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A Dra. Sharon LeDuc, Diretora Adjunta aposentada do Centro Nacional de Dados Climáticos (NCDC, em inglês) da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA, em inglês), visitou o serviço nacional de meteorologia da Bolívia em 18 de fevereiro de 2011 em nome da IEDRO. A Dra. LeDuc fez uma apresentação destacando como os dados climáticos históricos podem ser usados para reduzir as mortes e doenças decorrentes de eventos ambientais naturais extremos.
Pouco após sua visita, a Sociedade Meteorológica Boliviana afirmou que enviaria à IEDRO um memorando de entendimento. O memorando estabelecia funções e responsabilidades entre a Sociedade e a IEDRO para trabalho de resgate de dados. Decisivamente, o acordo autorizará a IEDRO a enviar dados climáticos da Bolívia para a NOAA para uso de cientistas ao redor do mundo.
Esforços no resgate de dados climáticos são de vital importância para nações em desenvolvimento como a Bolívia. Em 2007, enchentes severas mataram dezenas e afetaram 72.000 famílias, forçando o presidente Evo Morales a declarar estado de emergência. Ano passado, chuvas fortes e enchentes ameaçaram o sustento de 24.000 famílias, destruindo casas e plantações e matando os animais.
Resgatar dados climáticos ajuda os cientistas a desenvolverem modelos climáticos mais precisos que ajudarão os governantes a se prepararem melhor para condições climáticas extremas e a evitarem desnecessárias devastações e perda de vidas humanas.
A Dr. Sharon LeDuc, que se aposentou como Diretora Adjunta do NCDC da NOAA em Novembro de 2010, tem recebido genuínos reconhecimentos pelo seu trabalho ambiental ao longo do curso de sua distinta carreira, incluindo duas medalhas de ouro do Departamento de Comércio e um prêmio de Administrador da NOAA. A IEDRO se orgulha de tê-la em nosso time.
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